quarta-feira, 14 de novembro de 2007

CARTA ABERTA AO DIRETOR

Ilmo. Sr. Diretor da Faculdade de Direito da UPM,
Prof. Nuncio Teophilo Neto,

Não é de hoje que se acompanha a melancólica derrocada da qualidade e das condições de ensino na Faculdade de Direito Mackenzie. Expansão mercantil das vagas, salas de aula lotadas, aumento exacerbado das mensalidades, contratação de professores pela política da indicação, entre outras mazelas, conjugam-se com um cenário de democracia interna cada vez mais insossa, na qual a voz do estudante se faz representar, em regra, por requerimentos apreciados ao alvedrio das autoridades “competentes”. No conjunto dos graves problemas que nos afetam diretamente, destaca-se aqui, por ser responsabilidade direta do Sr. Diretor, a não-adoção do Concurso Aberto para Professores como única forma de ingresso de docentes na nossa Faculdade, em patente prejuízo à qualidade de ensino e à pluralidade de idéias no ambiente acadêmico.

É certo que o Sr. tem das mais diversas escusas para justificar a falta de critérios claros na forma de contratação de professores. Ouvimos do Sr. que o próprio Regimento interno da UPM não impõe às Diretorias das Faculdades o Concurso Aberto para Professores como única forma de contratação docente, razão pela qual apenas com a mudança do Regimento seria possível a sua adoção. Todavia, como o Sr. mesmo nos admitiu, é facultativo a cada Diretor adotar a forma de contratação que melhor corresponder às necessidades da Faculdade que capitaneia. Logo, uma vez que o regimento interno não proíbe a adoção do Concurso Aberto para Professores, está nas mãos do Sr. restabelecê-lo ou não.

Não se duvida aqui de que o Sr. está empenhado em melhorar a qualidade de ensino. Já é de conhecimento de boa parcela da nossa comunidade que há uma longa lista de possíveis dispensas de docentes que não vêm correspondendo às expectativas. Muito embora consideremos esta uma atitude plausível, por certo ela, só, não é suficiente. De nada adianta drenar um sem-número de professores mal-avaliados, ao passo que nada se faz para evitar que novos professores desqualificados sejam contratados para proferir aulas no Mackenzie.

Não que o Concurso Aberto para Professores fosse reduzir a zero a possibilidade de a Faculdade contratar um mau professor. Indubitavelmente, sempre haverá equívocos, porém não menos indubitável é o fato de que o Concurso Aberto para Professores diminuiria substancialmente essa margem de erro. E com uma pequena margem de erro, muito mais fácil seria o controle de qualidade dos professores mediante uma avaliação docente regularmente aplicada, com participação direta dos estudantes, somada a um plano de carreira, que implicaria na constante atualização e crescimento jurídico do corpo docente.

Aliás, tão importante quanto a adoção do Concurso Aberto para Professores é a participação direta dos estudantes nesse processo. Assim como temos a capacidade de, através da avaliação docente, examinar um professor após ele ser contratado, também poderíamos examiná-lo no seu processo de avaliação no Concurso, por meio de aulas-teste. Seria não só uma forma de equacionar ainda mais a possibilidade de erros na contratação, mas também um grande avanço na edificação da tão fragilizada democracia interna no Mackenzie.

A questão que ora se coloca é se o Sr. está disposto a sustentar esta pequena ousadia de inovar dentro da UPM. Sim, apenas dentro da UPM, porque, fora dos imponentes muros do quadrilátero entre as ruas Itambé e Consolação, desde sempre as Faculdades de Direito mais tradicionais e respeitadas contratam por Concurso. Não à toa estamos ficando para trás...

No ensejo, Sr. Diretor, indagamos o porquê de se proibir manifestações pacíficas de seus alunos nas dependências do Campus. O porquê de se arrancar os cartazes de protesto, seja das paredes ou das mãos de alguns manifestantes. Deveria, isso sim, e enquanto Diretor de uma faculdade tradicional e renomada, sentir-se orgulhoso de ver seu corpo discente atuar como parceiro na construção de um estabelecimento de ensino sério e democrático, que corresponda aos anseios da sociedade atual.

Pela IMEDIATA adoção do concurso como
única forma de contratação de professores


Pela EFETIVA participação dos estudantes
em todos os níveis de deliberação



São Paulo, novembro de 2007

2 comentários:

Unknown disse...

Em 2002 fazíamos parte do trio de ferro do direito paulista.

Nem a Unesp nos incomodava.

E agora?

Unknown disse...

As faculdades de São Paulo, inclusive o famigerado "trio de ferro" são sustentadas por um suposto "nome" construído há 50, ou 100 anos atrás.
As reivindicações Mackenzistas são as mesmas da PUC e, pasmem, até fazem parte da supremacia inabalável da SANFRAN, teoricamente a quintessência universitária.
O ensino brasileiro está em movimento de queda livre, prezamos diplomas em detrimento de dialética, amizades e politicagem em detrimento de um compromisso sério para com a educação. Nos resta a pergunta: O que nos espera?