sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Professor Por Acaso...

(A escandalosa contratação de professores no Mackenzie!)


Alguns de nós acabaram de superar o ainda concorrido vestibular do Mackenzie, outros já se preparam para passar pela prova de fogo do Exame da OAB, e alguns mais adiante já se afogam em estudos para vencer alguns dos mais disputados concursos públicos do país. Comum a essas três situações está a avaliação objetiva pela qual os candidatos são classificados, a fim de tentar garantir o mínimo de qualificação dos aprovados.

Porém, no Mackenzie, uma das faculdades de direito mais importantes e renomadas do país, (pasmem!) a contratação de professores ainda segue o critério da camaradagem dos grandes caudilhos mackenzistas, que catapultam para dentro os colegas de faculdade, infância, igreja, partido e por aí vai... Não que alguns bons professores, e outros, apesar de novos, extremamente dedicados e promissores, não tenham se agregado ao corpo docente no bojo dessas contratações, mas o resultado geral dessa política é o desmazelo que assistimos em nossas aulas. Professores sofrendo com o português, outros sofríveis, se não absolutamente incapazes, nas matérias que lecionam, e muitos sem qualquer habilidade para transmitir o seu conhecimento. Sem mencionar os freqüentes desvios autoritários, manifestados principalmente nas correções absurdas de provas e trabalhos, e nos arroubos de autoritarismo contra os alunos, tudo amplamente acobertado pelo “regime da chibata e do requerimento” que vige nessa instituição, e pela certeza de que a influencia que o colocou para dentro dificilmente irá conduzi-lo ao caminho contrário.

Contratar por indicação é indigno de qualquer instituição que queira ser reconhecida como um centro de excelência,
produtor de conhecimento e fomentador de reflexões críticas acerca do universo jurídico e da sociedade! Um número imenso de profissionais e estudiosos do direito gostaria de uma chance para lecionar no Mackenzie, e o concurso, além da forma mais transparente e democrática de contratação, é uma ferramenta fundamental para garantir a pluralidade de idéias no ambiente acadêmico. Algo tão distante num corpo docente quase uniformizado pelo conservadorismo, e amplamente calcado no mero tecnicismo jurídico.

Outro ponto fundamental é a elaboração de um plano de carreira que exija a constante atualização e crescimento jurídico do docente. E em todas essas formas de avaliação é ainda mais fundamental a participação dos estudantes, afim de que sejam evitadas distorções e proteções, seja integrando órgãos de controle de qualidade da faculdade, seja participando da contratação dos professor na forma de avaliadores de uma aula teste, como chegou a ocorrer anos atrás.

Não devemos nos furtar de mencionar aqui também, a tão esquecida democracia interna, já que a direção, ao arrepio do nosso regimento interno, se quer se digna a chamar a eleição para os representantes discentes. É inconcebível querer construir um ensino de qualidade sem os estudantes (que, em suma, são seus principais receptores e, por tanto, seus melhores avaliadores), e sem um dialogo amplo, constante, franco e igualitário entre funcionários, professores e alunos.



Pela Imediata instituição do concurso como única forma de contratação de professores.


Pela EFETIVA participação dos estudantes em todos os níveis de deliberação e avaliação da Faculdade.

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